O papel da viagem: cada mania tem o seu rolo

O papel da viagem: cada mania tem o seu rolo

Viajar costuma ser uma experiência marcante para muita gente. Não importa se o roteiro é mais longo ou perto de casa, deparar-se com novidades e culturas diferentes amplia o nosso repertório, gerando memórias deliciosas.

Para muitos exploradores, tão importante quanto conhecer novos lugares é poder trazer lembrancinhas que tangibilizem as recordações. Chocolates, camisas, bonés, café, revista… As opções são inúmeras e atendem às preferências de cada perfil.

Porém, nenhum aventureiro tem manias tão excêntricas quanto meu amigo Alípio. Estudamos juntos na faculdade e, desde que fez a sua primeira expedição sozinho, aos 18 anos, ele não parou mais de conhecer novos destinos. Ele faz cerca de seis passeios por ano: três pelo Espírito Santo, dois pelo Brasil e um internacional. Ele calcula ter mais de 30 carimbos diferentes no passaporte.

Embora seja reconhecido como grande explorador, o que, de fato, notabiliza Alípio é o hábito de trazer em cada viagem um souvenir um pouco atípico. O sujeito tem compulsão por adquirir rolos de papel higiênico. Para ele, cada unidade é capaz de expressar a identidade de uma região. Os mais delicados traduzem a natureza educada de um povo. Já os mais ásperos sinalizam para relações mais formais entre a comunidade.

A cada jornada, Alípio traz 2 itens iguais, sendo 1 para uso próprio e o outro para que os amigos degustem em sua casa, após um jantar cuidadosamente preparado com toques apimentados e sobremesa à base de ameixa. O ritual desse encontro é um caso à parte, pois começa com um tour pelo armário com porta de vidro, à prova de traças e com temperatura constante de 16 graus, para assegurar a melhor conservação dos souvenires.

— Esse com estampa de babuíno veio da África do Sul. Já aquele lá com imagens de Trump em baixo relevo eu trouxe do México.

A devoção pelo acervo é tamanha que, há 4 anos, nosso amigo teve de trocar seu loft por um apartamento de 3 quartos. A coleção, portanto, abandonou o armário e ganhou um cômodo só para ela. Com direito a suíte e hidromassagem.

Obviamente, essa excentricidade gerou contratempos, dentre eles, a dificuldade em encontrar uma parceira que aceitasse essa compulsão por papéis higiênicos. Muitas pessoas bacanas passaram pela vida de Alípio, mas desistiram de avançar na relação por conta da incomum coleção.

No entanto, há um ano, o colecionador foi flechado pelo cupido de forma contundente. Uma paixão avassaladora atingiu seu coraçãozinho. E, para variar, ela também implicou com a higiênica mania do nosso protagonista.

— Ou eu ou os rolos!!!

Ele tentou dialogar e foi arrastando aquela relação até o limite, até que, certo dia, ela saiu de casa. Alípio entrou em desespero. Ele ligou chorando para ela e, resignado, aceitou se desfazer de todo aquele repertório sanitário iniciado há uma dezena de anos. Porém, fez um último pedido:

— Eu vou doar todos os meus rolos, mas, como sou um viajante assíduo, preciso ter uma nova coleção, pois são lembranças de cada lugar. Mas pode ficar sossegada, pois, desta vez, vou optar por algo mais simples, compacto e que não ocupe tanto espaço em nosso futuro lar, ok?

Ela concordou. Os dois se abraçaram. Pensaram até em marcar a data do casamento. A partir daquele dia em diante, a cada destino que Alípio conhecia em suas explorações, um novo objeto se tornou fetiche de seu museu particular: o lenço umedecido.

Escreva no espaço dos comentários qual a sua mania nas viagens. O que você adora trazer?

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18 comentários sobre “O papel da viagem: cada mania tem o seu rolo

  1. Se Alípio eu fosse, não abriria mão do acervo. Usaria parte do papel para assoar o nariz durante os três dias de choro pelo término. Mas, cada um com seu rolo. Não costumo comprar lembrancinhas em viagens – nem para mim nem para os outros. Só compro se for algo com significado ou de que tenha gostado muito. Do Caminho de Santiago, por exemplo, tenho um chaveirinho que é uma seta amarela. Mas não comprei nada além disso durante toda a viagem pela Europa.

  2. Não é uma coleção, mas, já colei na geladeira alguns adesivos de frutas que viajaram até a minha casa: maçãs, pêssegos, laranjas, tangerinas

  3. Sensacional, Mazzei. Recentemente, fui em Foz do Iguaçu e vi rolos de higiênico com um laço de papel no banheiro. Tirei foto e mandei pra minha esposa no Whatsapp com a legenda “Papel higiênico que é um verdadeiro presente pro butão”. Vou transcrever o que ela falou: “Amor, achei o máximo isso aí. Muita criatividade, né? Muita papagaiada mermo hotel, né?”

  4. Eu e o Lorenzo (meu filho) compramos chaveiros em nossas viagens. Eu escolho um e ele outro. E trocamos. É mais que um singelo mimo. É uma maneira de criar memórias, conexões, afeto… Volta e meia abrimos uma pequena caixa e vamos construindo momentos e lembranças das viagens por meio dos chaveiros.

  5. Aproveito o seu título e já viajo no embrulho do texto:
    Não me enrole com seu rolo! Jogue o seu papel sozinho e em local adequado.

  6. Aproveite para criar a campanha: Espirre mas não espalhe seu vírus 😬😬😊 Use papel higiênico que é mais barato do que lenço yes !! 😊🫣🤭

  7. Acho que as lembranças de viagem tem um forte poder de nos teletransportar novamente em dias felizes e contagiantes… Pena que por aqui, todas as lembranças eu comi hihi (chocolates são os clássicos por aqui)! Por enquanto fico deixando para as fotografias cumprirem o mesmo papel!

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