De frente com a mente: entrevista com a criatividade
Já perdi as contas de quantas crônicas escrevi, mas escolher o tema a ser explorado sempre foi meu maior calcanhar de Aquiles. Como é difícil definir o que será esmiuçado em poucas linhas! Depois de rascunhar vários assuntos com algum potencial, decidi escrever justamente sobre essa situação que me atormenta sempre que abro uma página em branco no Word. Para tentar compreender melhor esse bloqueio que se apossa de mim, marquei uma reunião urgente com aquela que tanto me ajuda, embora seja bem incompreensível: minha própria mente. Isso mesmo: de frente com a mente.
No horário marcado, lá estava eu: gravador, papel, lápis e até uma caneta espiã no bolso da camisa. Tudo a postos para registrar cada insight que surgisse naquele encontro improvável.
Após 45 minutos de atraso, eis que ela aparece. Tranquilona, bonachona, cortês e com um estilo riponga. Abriu um sorriso gostoso, sentou-se de forma relaxada em um puff verde e pediu um suco de laranja. Respirei fundo, controlei a ansiedade e iniciei a entrevista.

VM – Mente, o que passa na sua cabeça?
M – Bicho, sei lá. Não paro pra pensar, deixo fluir. O rio corre, os sapos pulam, a sombra se mexe ao sabor da lua… É tipo um filme a que você assiste pela metade. Véio, que vontade de viajar. Sempre volto oxigenada depois de uma jornada. Adoro quando você me leva para andar de bicicleta. E esquece um pouco do celular. Sou grata por isso.
VM – Mas o que você quer dizer com isso? Começamos agora e já não consigo acompanhar. Tanta informação desconexa…
M – Desconexa? Desconexa é a vida, bicho. Tá tudo aí circulando, gravitando, sacou? Conexão virou papo de coach. Eu simplesmente vivo. Focar em uma coisa só é perda de tempo.
VM – Por que, às vezes, quando acesso você, saio com mais dúvidas que certezas?
M – Mermão, é esse emaranhado de informações e sentimentos que me faz ser quem sou. Esse fluxo incontrolável de sinapses é que gera o novo e o memorável. Você já teve um daqueles sonhos em que mistura amigos de faculdade, família e o Programa Silvio Santos?
VM – Já. Mas nunca entendi.
M – Brow, para de querer explicação pra tudo. Enquanto vocês querem colocar ordem no caos, eu quero caos na ordem. É dessa associação livre e sem hierarquia que vem o ímpeto para todo mundo ver combinações onde antes não havia. O que mais me motiva é vasculhar o seu repertório e unir aquilo que foge do padrão.
VM – Então me diz: por que tenho tanta dificuldade em definir um tema para minhas crônicas?
M – Ué, tem que ser um só? Por que não dois, três, mil temas em um texto só? Imagina uma crônica em que cada linha trata de um tema…
A mente riu, levantou-se e começou a fazer coreografias de axé.
M – Não seria irado? A propósito, já deu minha hora. Posso sair daqui plantando bananeira?
E, sem esperar minha resposta, saiu pulando e cantando “Dança da Manivelaaaa”.
Atônito, fiquei ali sozinho na sala. Em silêncio, desliguei o gravador e a caneta espiã. Pensei: até que aquela aleatória conversa rendeu reflexões interessantes, mas nada de concreto para minha crônica que urge. E para piorar, nos meus papéis só havia uma anotação: qual vai ser o tema?
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GENIAL
obrigado, querida!
Excelente texto, PARABÉNS!
muito obrigado!
Muito massa, Mazzei!
valeu, meu amigo!
Verdade…passo por essas fases para criar uma Arte nova ou nomear uma Arte que ficou pronta e ou escolhas de qual vai ser a próxima ….
e olha que em matéria de criatividade, a prima é referência. Obrigado pelo comentário.